
“FDMS manifesta apoio à comunidade da Universidade Federal de Pernambuco, atingida por sucessivos incêndios em seu campus Recife, e acompanha as investigações da Polícia Federal“.
Em menos de duas semanas, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) viveu três incêndios dentro do próprio campus, em Recife. O mais recente, na noite de 7 de outubro, atingiu um prédio inteiro de laboratórios e deixou para trás anos de pesquisa em diferentes áreas do conhecimento. Felizmente, ninguém ficou ferido. A Fundação Delfim Mendes Silveira (FDMS) se solidariza com toda a comunidade acadêmica da universidade neste momento.
O primeiro registro foi em 30 de setembro, no Laboratório de Óptica Não-Linear, do Departamento de Física. As informações divulgadas indicam que as chamas teriam partido de uma câmara de alta temperatura, usada para o aquecimento de substâncias. O dano à sala foi grande, mas o fogo não se espalhou para outros espaços.
Quatro dias depois, em 4 de outubro, um novo incêndio atingiu o Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Mais uma vez, o fogo ficou restrito à sala onde começou e não deixou vítimas.
Em 7 de outubro, por volta das 20h, o terceiro e maior episódio atingiu um prédio da Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife. No local funcionavam laboratórios das áreas de fármacos, informática e genética, além de estruturas ligadas à inovação e ao empreendedorismo. O Corpo de Bombeiros foi acionado, e ao todo oito viaturas atuaram até que as chamas fossem controladas. O edifício sofreu danos severos.
Os números dizem pouco diante do que um laboratório representa. Cada equipamento, cada amostra e cada anotação guarda horas de dedicação de pesquisadores, professores, técnicos e estudantes, muitas vezes ao longo de anos. Uma estudante da universidade relatou à imprensa que seus estudos e projetos acadêmicos estavam guardados no prédio atingido. O relato mostra que a perda vai além do patrimônio material: atinge trajetórias, prazos e sonhos de quem constrói conhecimento todos os dias.
Em nota divulgada na noite do incêndio, a UFPE lamentou profundamente o ocorrido, especialmente em relação às pesquisas afetadas, e prestou solidariedade aos pesquisadores e professores que trabalhavam no prédio. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, colocou o ministério à disposição para o apoio necessário. Pouco depois, o Ministério da Educação anunciou o repasse de cerca de R$ 28 milhões para a construção de um novo prédio para a universidade, além da prorrogação de bolsas.

“Foto divulgada da Faculdade UFPE”
A Polícia Federal informou que vai instaurar inquérito para apurar todas as circunstâncias e as causas prováveis dos incêndios. Peritos federais já estiveram no local, e a corporação conversou com o reitor e com o comando do Corpo de Bombeiros. Segundo o reitor, Alfredo Gomes, circulam nas redes sociais mensagens com ameaças contra a universidade, que também serão analisadas pela PF. Até o momento, não há confirmação oficial de que os incêndios tenham sido provocados ou de que tenham relação com essas mensagens. Por isso, a FDMS aguarda a conclusão das investigações e evita qualquer conclusão precipitada.
Como fundação de apoio, a FDMS convive diariamente com a realidade de quem faz ciência, inovação e educação pública no Brasil. Sabemos que esse trabalho depende de estrutura, de investimento e, principalmente, de pessoas. É por elas que nos manifestamos.
À comunidade da UFPE, a seus pesquisadores, professores, técnicos e estudantes, deixamos nossa solidariedade e nosso respeito. Que a reconstrução venha com a força que a ciência brasileira já demonstrou tantas vezes, e que o conhecimento construído até aqui siga adiante.
Inovação e excelência, também no cuidado com quem constrói o conhecimento.
